Entrevista com a banda Premiere: Peso e verdade em doses cavalares

Promessa do rock nacional? A resposta vem em música: “Vai que vai, se não é por mal é por bem… Quando a poeira abaixar, não vai sobrar mais ninguém!”. Com certeza, independente do processo no caminho, os caras da Premiere buscam um lugar ao sol nesse cenário tão complexo que é do rock nacional. E pode-se dizer que já estão conseguindo. A banda que, recentemente, lançou seu primeiro EP, traduz o que é a força musical para alcançar objetivos e apresentar uma arte original e genuína. “É a busca do orgânico, da nossa verdade, da sonoridade visceral que nos realiza como músicos e como banda”, conta o vocalista Jones.

A música “Vai que Vai”, por exemplo, já conta com mais de 51 mil visualizações no Youtube. Para eles,  “o aumento de views e downloads nas plataformas não é apenas o reflexo de um trabalho pesado diário, mas também de que existe um público que busca um som mais transgressor e de atitude entre as bandas de rock nacional”, explica Jones, “além de ser muito acima do esperado”, finaliza o guitarrista André Seven. Com um DVD “que já está no radar”, os caras garantem um som pesado e cheio de referências que agradam aos mais diversos estilos, num grupo que possui integrantes na cena desde 1999. Aquela mistura sonora que a gente tanto ama.

Confira no tete a tete o nosso bate papo com a banda e as novidades que vêm por aí!

“Premiere: A questão de agradar aos mais diversos estilos acabou sendo uma consequência do trabalho, pois nunca tivemos a “preocupação” em fazer algo “rotulável”, e sim algo pesado, visceral e acima de tudo, verdadeiro! Essa é a nossa filosofia!”

FOTO: divulgação

E.T.C.: Algumas bandas do rock nacional, das mais aclamadas pelos brasileiros, possuem, em sua essência, críticas em relação ao social, à política e à cultura, num todo. Vocês acreditam que as letras das músicas da Premiere, com essa pegada forte, ande para essa lado também?

Jones: As letras acabam sendo baseadas nas situações de vida que estamos passando no momento em que elas surgem… A Vai que Vai, por exemplo, fala sobre a crença absoluta em correr para realizar aquilo que se acredita, mas questionando fortemente o comportamento daqueles que tentam a qualquer preço, aqueles que sempre visam o caminho mais fácil, que tentam tirar vantagem alheia… A Freakshow já apresenta uma visão frustrada e desajustada em lidar com a vida moderna e suas ansiedades… Já a 6mg é bem intimista e aborda o tema depressão. O nome da música foi baseado no Rivotril, medicamento utilizado de forma indiscriminada na busca de um “alivio mágico” para as “dores do mundo”… O fato é que as letras falam de coisas que vivemos, passamos, acreditamos… pode ser uma influência boa ou ruim, mas é a nossa verdade, é a nossa vida exposta diretamente em tudo que fazemos.

E.T.C.: Como a mistura de diferentes linhas do rock (“como o punk rock e hardcore californiano, para Jones; um estilo mais para a Costa Leste norte-americana para André; e influências do nu e alternative metal para Lipão”) influenciaram no som de vocês? Mesmo não sendo proposital, acreditam que isso possa ter colaborado para uma produção completa nas músicas?

André Seven: A palavra certa para isso é diversidade! Quando se mistura várias influencias sonoras boas, o resultado acaba saindo bom também. Nossa linha de construção é bastante simples, na banda, todos tocamos instrumentos de corda, o que facilita ainda mais! Criamos riffs pesados que acabam passando pelas mãos de todos da banda, onde cada um acaba colocando algum “tempero” a mais, e o resultado é esse… Peso e verdade em doses cavalares!

E.T.C.: Como vocês enxergam o mercado do rock nacional, atualmente?

Jones: Apesar de todas as dificuldades em se trabalhar com música atualmente, principalmente no cenário rock, vejo sim um mercado em ebulição e muito promissor nos próximos anos. É preciso que as pessoas sejam menos saudosistas e mais abertas ao novo, ao atual, ao momento de vida que vivemos agora! Essa renovação é latente e irreversível! Existem dezenas de bandas novas extremamente competentes por ai e que, assim como nós, buscam um lugar ao sol.

André Seven: Enxergo como um mercado carente de coisas novas! Um mercado querendo entrar em ascensão, mas ainda longe do ideal! Hoje, temos muitas bandas de nível altíssimo, contudo, ainda há falta de espaço para mostrarem seu trabalho, estrutura, investimento, etc… A mentalidade da galera está mudando, a proposta de rock autoral está ficando cada vez mais forte e valorizada, como consequência, as bandas estão se ajudando mais e promovendo seus próprios eventos. Acredito que para esse jogo virar seja apenas uma questão de tempo!

FR (baixista Felipe): É um mercado extremamente difícil de se trabalhar, mas como banda, estamos na luta para conseguir garantir nosso lugar.

Lipão (baterista): Acredito que nesse momento o mercado de rock nacional está carente de bandas com atitude no som e nas letras e acaba sendo até uma oportunidade para nosso trabalho.

E.T.C: Vocês estão com uma fama de serem “promessa do rock nacional”. O que isso significa para a banda?

André Seven: Eu acredito que toda ação tem uma reação! Nossa ação foi fazer um som com a nossa cara,.. pesado, visceral e verdadeiro… com letras e riffs expressivos que batem no fundo da alma e tocam as pessoas de algum modo! A reação da galera foi de reconhecimento por estarmos literalmente “metendo o pé na porta”, sem levantar bandeiras, ideologias ou querer agradar mercados e tendências… simplesmente fazemos o que é nosso!

Jones: Quando li isso pela primeira vez deu um frio na barriga (risos). Mas a real mesmo é que estamos nessa porque é o que nos realiza, é a nossa verdade de vida, independente do que aconteça. Acredito que o que vem pela frente será apenas a consequência do que realizamos hoje… então está tudo certo (risos).

Lipão: Significa uma enorme responsabilidade e ao mesmo tempo um prazer gigante em poder mostrar nosso trabalho com a mesma energia que acontece nos shows. Nosso comprometimento é tentar contribuir ao máximo pela cena rock nacional.

E.T.C.: Sabemos que saíram em turnê para a divulgação do Ep. Como está sendo e quais serão os próximos passos da banda em solo nacional?

Jones: Estar na estrada é a “cereja do bolo”, é o resultado de todo um trabalho pesado diário e que não para nunca. É a parte que mais gostamos com toda certeza (risos) e ter a oportunidade de rodar o país apresentando nossa arte é algo bem realizador. Tocar fora do país sempre foi um sonho e acredito mesmo que possa realizá-lo em breve!

FR: Já fizemos a perna de Curitiba e foi sensacional, nasci em Curitiba então sempre que tenho a oportunidade de tocar nessa cidade é sempre algo especial. A turnê seguirá para Minas Gerais e Nordeste, e provavelmente serão shows viscerais. Sem contar que é sempre legal conhecer novas cidades deste imenso país. Se tivermos tempo para ‘turistar’, com certeza farei isso pelas cidades que passarmos.

E.T.C: Pretendem ingressar em algum projeto para DVD?  E parcerias… alguma em mente?

André Seven: Pretendemos sim! Um DVD da banda é algo que já está no nosso radar. Temos ainda vários projetos bem legais a serem lançados antes disso, que inclusive, já estão na manga! Logo vem novidade!!!

Jones: Uma banda de rock nacional que é unanimidade entre nós é Raimundos (FICA A DICA). Se rolasse uma oportunidade de trabalharmos algo juntos, seria fantástico! Os caras revolucionaram a coisa toda quando chegaram com o pé na porta e isso é algo que fala diretamente com a nossa proposta dentro da cena rock atual.

“Premiere: Nosso maior objetivo é poder viver da banda até o fim de nossas vidas, crescendo na cena de forma concreta, sempre produzindo coisas novas, já que as idéias não param, e continuar realizando nosso sonho de vida. Continuar fazendo o que fazemos hoje, com verdade, de coração, deixando nossa marca e contribuindo ao máximo para o crescimento da nova cena rock nacional. Já que somos sonhadores por natureza, esperamos tocar nos maiores festivais de rock que acontecem no Brasil, que cada vez mais nosso nome seja levado para mais pessoas de diferentes estilos e que nossa contribuição para o rock nacional seja real e reconhecida.”

O EP da Premiere está disponível em todas as plataformas digitais: https://onerpm.com.br/al/4175357515

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Post Author: Jaqueline Oliveira

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