Homem-Formiga e a Vespa: resenha crítica

Apresentado como o primeiro filme dos estúdios Marvel a trazer uma mulher como protagonista, o longa Homem-Formiga e a Vespa até acerta em alguns aspectos neste quesito, mas se atrapalha  em outros. Considerando que a proposta, desde o primeiro filme da sequência, é trazer o personagem dos quadrinhos de um jeito mais sutil, ele acaba entrando naquela fórmula que se pode prever como será o final, mesmo atentando-se ao fato de que os fãs do Universo Cinematográfico Marvel sempre esperam o impossível. O que, neste caso, foi bem previsível e um pouco fora da expectativa que geralmente é o destaque dos filmes Marvel – muito pelo fato de ser uma produção menor, em comparação aos grandes títulos do UCM.

Sim! A Vespa entra como protogonista que até, em alguns momentos, brilha mais que o Homem-Formiga. A Vespa ou Hope Van Dyne é habilidosa e cheia de confiança, além de ser apresentada como fator crucial para que o desenrolar da trama siga na direção que o roteiro aponta. Como vimos no final do primeiro filme, a Hope finalmente herdou o uniforme da Vespa e rapidamente convence de suas capacidades e motivações. Já o Homem-Formiga ainda possui em sua característica o aspecto de parceria, num tom que combina uma ligação mais familiar (muito pela relação com a  filha) e com um humor um tanto infantil, onde o personagem se encarrega de ser o bobo e atrapalhado, trazendo com maestria boa parte das cenas de comédia.

Homem-Formiga e a Vespa é um filme que parece ter o objetivo principal fazer rir. Com grande número de piadas envolvendo o grupo de amigos do herói (que foi apresentado da mesma forma no filme original), as cenas de comédia são estendidas, dando a entender que são elas as mais importantes e não a trama principal que se segue “de fundo”. Ao passar uma cena com ação, automaticamente o expectador, espera, em seguida, uma situação cômica, por já estar envolvido no método que o filme apresenta: a comédia como um elemento de ligação das situações que os heróis enfrentam.

Outro detalhe que deixou a desejar é a não valorização dos antagonistas. Talvez por depois de nos depararmos com a magnitude de Thanos ou de Erik Killmonger (de Pantera Negra), é difícil não gerar comparações. Os antagonistas são deixados num aspecto preguiçoso e sem muitas motivações. Por exemplo, a motivação de Fantasma (a antagonista da trama principal) é a vingança.

Imagem – divulgação

Um pouco diferente das HQs, ela se mostra genérica e birrenta. Os diretores chegaram a definir que a personagem não é uma vilã de fato, e dá até apara entender isso ao ver o filme – portanto deixa muito a desejar apresentar uma vilã que não é uma vilã. Já Sonny Burch e seus capangas ficam como antagonistas secundários, que, simplesmente dão mais problemas e obstáculos para os heróis, nada além.

Apesar disso, um detalhe (que não deveria ser detalhe, mas que acabou ficando como parte da “ambientação da história”) que Homem-Formiga vêm apresentando desde o primeiro filme, pode ser a saída para o futuro do Universo Cinematográfico Marvel, prometendo assim, ser o componente para que todas as histórias se entrelacem: o reino quântico!

P.s.: aí sim, podemos nos perguntar onde estava o Homem-Formiga quando o Thanos “destruía” tudo e qual o papel dele nessa história. Algumas teorias e rumores afirmam que ele ‘não tem nada a ver e que não pode influenciar em nada no que aconteceu em Guerra Infinita’, mas será mesmo?

Vamos aos fatos de Homem-Formiga e a Vespa!

Antes de tudo, é bom começar parabenizando a Marvel por tanta competência e ousadia ao longo destes 10 anos! Com uma década de lançamentos de filmes, ela consegue seguir com sua proposta inicial de apresentar seus super-heróis de formas particularizadas, dentro de contextos gerais e que podem, de alguma forma (a morte aqui não tem espaço, pois a Marvel também tem o poder da ressurreição), conectar tudo e permanecer com sua proposta de qualidade.

Agora, voltando para o filme, é preciso entender o tempo em que história se passa. O filme começa dois anos após Scott Lang – Homem-Formiga (interpretado por Paul Rudd) ter sido preso, condenado por ajudar o Capitão América e ter quebrado o Tratado de Sokovia. Scott aceita um acordo para cumprir sua pena em prisão domiciliar para ficar perto da filha. Mas a sua decisão não só acarretou problemas para ele, como também para Hank Pym (interpretado por Michael Douglas) e para a Hope Van Dyne (interpretada por Evangeline Lilly), que são forçados a viver como fugitivos da lei.  Restando apenas três dias para finalizar a pena e sair de casa, Scott tem um sonho estranho com Janet Van Dyne (interpretada por Michelle Pfeiffer) – a Vespa original, mãe de Hope e esposa de Hank, que se perdeu no mundo quântico há 30 anos. Scottt, então, precisa voltar a ativa quando Hank e Hope precisam de sua ajuda para resgatar Janet, e é justamente aí que o filme se divide em várias tramas. O trio precisa fugir de um traficante (Sonny Burch, interpretado por Walton Goggins) que quer vender a tecnologia de Han no mercado negro, enquanto tem que lidar com uma ameaça que quer acesso ao reino quântico (a Fantasma, interpretada por Hannah John-Kamen) uma das antagonistas da história , enquanto Scott precisa fugir dos agentes do FBI para não prejudicar a sua prisão domiciliar.

Conclusão?

Homem-Formiga e a Vespa é divertido e para família. Depois do último Vingadores, ainda estamos em processo de recuperação, que o torna um grande alívio [ou não]. É um filme que estabelece um tom natural, em meio a comédia que tantos criticam na Marvel e seus filmes com doses de humor. Aqui o tom cômico acaba sendo inofensivo, mesmo não acertando ao ser o fator principal – que acaba o fazendo perder alguns pontos. Porém, traz em sua essência a resolução do primeiro filme e tenta resolver a equação de ter importância, na falta dela, o que só consegue com a primeira cena pós-crédito (E QUE CENA!!!). É justamente nesta cena que as teorias sobre a conexão com o que aconteceu com a trupe de Thanos e com os pequenos heróis finalmente se torna possível e acaba dando a importância que tanto faltava.

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Post Author: Jaqueline Oliveira

2 thoughts on “Homem-Formiga e a Vespa: resenha crítica

    Jaime Rojas

    (11 de julho de 2018 - 13:52)

    Uma das melhores estreias de 2018, adorei que fosse divertido, interessante e um enredo muito sólido. Michael Peña era meu personagem favorito, ele é um ótimo ator e muito talentoso para fazer dublagem. Em Lego Ninja Go, ele fez um ótimo trabalho. Sempre fui fã do filme de criança, eu gosto por que em cada produção procuram incluir uma mensagem e não somente para os pequenos, pois podemos aprender muito destas produções e nos divertir ao mesmo tempo. Juro que vale muito a pena ver, por que apesar de que é uma historia feita completamente para crianças, sente que esta muito bem adequada para que qualquer membro da família possa ver e ficar encantado com a história. Eu recomendo totalmente.

      Jaqueline Oliveira

      (24 de julho de 2018 - 11:53)

      Com certeza! A interação com o público infantil possibilita essa imersão das crianças num contexto que dita respeito e o valor da amizade. Muito bem observado.

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